Ciclos

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O Brasil vive de ciclos. Ciclo do ouro, do café, do gado, do cacau, da cana, do milagre econômico, da soja, do samba, do futebol, dos estádios. O contexto atual não é diferente. Vive-se o ciclo da incredulidade. E os exemplos abaixo confirmam a teoria.

Hoje, o governo federal possui uma condenada por improbidade administrativa comandando o Ministério da Cultura e um investigado comandando o Ministério da Saúde. Qualquer país demitiria, no ato, ambos os ministros. Qualquer país sério nem os cogitaria para assumir tais cargos. Mas por que o Brasil aceita tantas imoralidades?

Há alguns dias, o Tribunal Superior Eleitoral editou uma resolução que decidiu que o Ministério Público e os órgãos policiais não poderão investigar crimes eleitorais em 2014. O Ministro Toffoli simplesmente passou por cima da Constituição Federal. Mas por que o Brasil atropela a ordem jurídica e o regime democrático?

Há algumas semanas, a mídia divulgou que o número de cargos comissionados em todas as esferas de poder é exorbitante. Apenas no executivo federal, existem 22 mil pessoas não concursadas trabalhando. São funcionários que, na maior parte dos casos, não possuem aptidão técnica para exercer o cargo. Também não possuem compromisso com a população, pois trabalham somente com o intuito de atender aos interesses de seus padrinhos políticos. Trata-se de um completo desrespeito ao patrimônio público e ao povo. Mas por que o Brasil não respeita o bem comum?

Há alguns meses, uma criança morreu num viaduto alagado no Distrito Federal. O governo disse que seriam tomadas as medidas necessárias para evitar que isso acontecesse novamente. Entretanto, ontem, outra pessoa faleceu afogada no mesmo viaduto. Irresponsabilidade total do poder público. Mas por que o Brasil não tem responsabilidade social?

As respostas para as perguntas acima talvez estejam na definição do nosso país. É uma nação fora do eixo. Terra do surrealismo, de acontecimentos inacreditáveis que são considerados normais. O bizarro já faz parte do cotidiano tupiniquim. O absurdo não surpreende mais. Moral, ordem jurídica, democracia, bem comum e responsabilidade social são conceitos que desapareceram. Ocultaram seus cadáveres. Só sobrou o espírito da lei. Mas por que o Brasil não respeita a lei? Não se sabe. É um ciclo interminável de perguntas sem respostas. A melhor e mais eficiente, no momento, é a incredulidade.

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